Um projeto na Central de Abastecimento Alimentar de Pernambuco (Ceasa) promete melhorar a qualidade dos produtos vendidos pelos comerciantes. A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) começou a implantar uma iniciativa pioneira: uma central de embalagens, que deve diminuir os riscos de contaminação dos alimentos.
As caixas de papelão utilizadas atualmente pela Ceasa vão deixar de existir na primeira quinzena de setembro, quando serão substituídas por caixas novas, de plástico. Já há 20 mil caixas higiênicas, mas serão necessárias 300 mil para toda a Central.
O projeto vai começar pelo tomate, que é um dos alimentos mais prejudicados durante o transporte em termos de higiene e desperdício, explica o professor de economia na UFRPE, Luiz Andrea Favero (foto 1), que está à frente do projeto. “O tomate hoje tem 20% de perdas”, estima. “Vamos economizar com essas perdas e ganhar com a qualidade ambiental”.
As vantagens são múltiplas, para o produtor rural, para o comerciante atacadista e principalmente para o consumidor, explica o professor. “Atualmente temos contaminação por vírus e outros patógenos, que vamos diminuir com esse processo de lavagem das caixas, além de evitar que as doenças e pragas voltem para a lavoura”.
Um maquinário com água na temperatura de 60°C vai lavar a caixas, utilizando também detergentes, sanitizantes e produtos que vão eliminar os fungos. “O consumidor terá um produto com garantia de segurança do alimento”, afirma o economista Luiz Andrea Favero.
Além disso, as caixas serão padronizadas dentro das normas do Inmetro e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “A pessoa vai comprar o produto sabendo quanto vai levar, sabendo o peso. Na caixa, você não sabe quanto tem, se dez ou vinte quilos”, explica o professor da UFRPE.
Todo o projeto também foi pensando dentro das premissas de proteção ao meio ambiente. De acordo com Favero, a água usada na máquina será reciclada e tratada. As caixas são controladas por cartões verdes e amarelos e o produto não vai sofrer alteração de preço. “Hoje se paga por uma caixa que não tem as condições de higiene”, explica.
“Vamos subsidiar os atacadistas que têm essas caixas. O custo inicial vai ser diluído nas vantagens que teremos ao longo do processo”. |